terça-feira, 6 de novembro de 2012

B E M – A V E N T U R A N Ç A S


FELIZES OS INTERIORMENTE POBRES

Feliz é você que se permite doar algo sem esperar nada de volta.

Abençoado quando não resiste a oferecer algo a favor dos mais carentes.

Sim, feliz quando - participante e generoso(a) - se insere na convivência.

 

FELIZ DE VOCÊ QUE VIVE ANGUSTIADO

Parabéns ao ousar reconhecer que em sua vida nem tudo está perfeito.

Sim, feliz ao reconhecer que também é responsável pela injustiça no mundo.

Parabéns por não se envergonhar de algumas lágrimas de tristeza.

 

FELIZES OS QUE MOSTRAM LEVEZA DE CORAÇÃO

Feliz é você: por dentro, é forte a ponto de não precisar defender-se.

Abençoado(a) por não buscar o poder só para colocar ordem nas coisas.
Sim, parabéns por não confirmar sempre o direito do mais forte.

 

FELIZ A PESSOA QUE TÊM FOME E SEDE DE JUSTIÇA

Alegra-se quando sente a fome no mundo como o próprio estômago vazio.

Feliz é você quando se incomoda ao ver, na TV, a cruel injustiça no mundo.

Alegre-se por não se conformar com esta maldade: ‘Cada um por si, Deus por todos’.

 

FELIZES OS PUROS DE CORAÇÃO

Continue a fazer o bem sem outras intenções, evite o mal sem respeito humano.

Prossiga neste propósito: fazer na 2ª-feira o que se propôs no domingo.

Supera o respeito humano e é íntegro(a), falando, antes, a alguém que sobre ele(a).

 

FELIZ TODA PESSOA QUE PROMOVE A PAZ

Não desiste, pois não se conforma a uma sociedade cheia de armas e violência.

Continua destemida no protesto contra políticos e civis em sua prática de corrupção.

Mostra-se corajosa em sua escolha pela paz e contra os que se fazem omissos.

 

FELIZES OS PERSEGUIDOS PELA CAUSA DA JUSTIÇA

Pouco se lhe dá quando é considerado(a) alienado(a), sem os dois pés no chão.

Não se incomoda quando dizem que seu ideal é bonito, porém nunca realizável.

Nem se impressiona, caso zombem de você e até evitam sua companhia.

 

SIM, FELIZ DE VOCÊ E MUITO ABENÇOADO(A)

Eu lhe digo: está reservada para você uma valiosa recompensa junto a Deus.

É o que aconteceu aos profetas: valorizaram esta perspectiva e foram compensados.

Sinta, pois, o Deus em você e se faça sua testemunha para alegria de muitos.

A PAZ NÃO LHE SERÁ TIRADA.

FREI CLÁUDIO VAN BALEN

A CASA QUEIMADA

Um certo homem saiu em uma viagem de avião. Era um homem temente a Deus, e sabia que Deus o protegeria. Durante a viagem, quando sobrevoavam o mar, um dos motores falhou e o piloto teve que fazer um pouso forçado no oceano. Quase todos morreram, mas o homem conseguiu agarrar-se a alguma coisa que o conservasse em cima da água. Ficou boiando à deriva durante muito tempo até que chegou a uma ilha não habitada.

Ao chegar à praia, cansado, porém vivo, agradeceu a Deus por este livramento maravilhoso da morte. Ele conseguiu se alimentar de peixes e ervas. Conseguiu derrubar algumas árvores e com muito esforço conseguiu construir uma casinha para ele. Não era bem uma casa, mas um abrigo tosco, com paus e folhas. Porém significava proteção.

Ele ficou todo satisfeito e mais uma vez agradeceu a Deus, porque agora podia dormir sem medo dos animais selvagens que talvez pudessem existir na ilha. Um dia, ele estava pescando e quando terminou, havia apanhado muitos peixes. Assim com comida abundante, estava satisfeito com o resultado da pesca.

Porém, ao voltar-se na direção de sua casa, qual tamanha não foi sua decepção, ao ver sua casa toda incendiada. Ele se sentou em uma pedra chorando e dizendo em prantos: "Deus! Como é que o Senhor podia deixar isto acontecer comigo? O Senhor sabe que eu preciso muito desta casa para poder me abrigar, e o Senhor deixou minha casa se queimar todinha. Deus, o Senhor não tem compaixão de mim?"

Neste mesmo momento uma mão pousou no seu ombro e ele ouviu uma voz dizendo: "Vamos rapaz?" Ele se virou para ver quem estava falando com ele, e qual não foi sua surpresa quando viu em sua frente um marinheiro todo fardado e dizendo: "Vamos rapaz, nós viemos te buscar". "Mas como é possível? Como vocês souberam que eu estava aqui?""Ora, amigo! Vimos os seus sinais de fumaça pedindo socorro. O capitão ordenou que o navio parasse e me mandou vir lhe buscar naquele barco ali adiante."

MORAL DA HISTÓRIA: É comum nos sentirmos desencorajados e até mesmo desesperados quando as coisas vão mal. Mas Deus age em nosso benefício, mesmo nos momentos de dor e sofrimento. Lembrem-se: Se algum dia o seu único abrigo estiver em chamas, esse pode ser o sinal de fumaça que fará chegar até você a Graça Divina. Para cada pensamento negativo nosso, Deus tem uma resposta positiva.. (Hely)

                                            HELY

A estória, abaixo, é bonita, edifica. Beleza. Só que... Pode haver tantos outros casos, igualzinhos, e as pessoas não se salvam. Deus parece surdo e mudo. Pense nisso...

Vivi na guerra de 40-45. Mais tarde, visitei Campo de Concentração. Até o papa Bento XVI visitou Auschwitz e não se conteve - pena - exclamando: "Onde estava Deus?"

Devia ter perguntado: Onde estava o papa, a Igreja, as religiões, os cidadãos?

Dietrich Bonhöeffer, pastor lutarano, preso na guerra e, no finzinho, enforcado por ordem de Hitler, deixou este pensamento: "Chegou o tempo, em que devemos aprender a viver neste mundo como se Deus não houvesse".

Ele queria dizer: Não há um Deus interventor, quebra-galho, pois não há um Deus fora e acima de nós. Deus só existe dentro de tudo e todos. A cada um cabe abrir espaço para esse Deus: com ele, nele e por ele - revestido de energias ignotas - dedicar-se à solução de problemas; e quando esses se mostram insolúveis, fazer-se capaz de lidar bem com os mesmos. E, caso possível, pode acontecer o chamado 'milagre', pelo qual a pessoa é responsável, GRAÇAS A DEUS.

É o que eu aprendi da guerra. Se lhe servir, ficarei satisfeito.

Do contrário, deixe pra lá.

Grato.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

CELEBRAR A VIDA (MÉDICO: PROFISSIONAL DIFERENTE)



Todo profissional responsável persegue, com generosa criatividade, o que se lhe propõe como meta a alcançar. Ele(a) administra o que resulta de uma escolha, de uma busca, de uma conquista sua. Sofre o que lhe é imposto como algo a contrariar seus desejos, seus sonhos, seu bem-estar. Acima de tudo, sua missão é ‘celebrar’ o que – conquistado ou recebido – fecunda e socializa seus esforços, o significado de seu êxito e o conteúdo de suas expectativas. O ‘celebrar’ realça a dimensão de ‘dádiva’ de algo que vivenciamos, do que nos propusemos e conseguimos ou que a vida e suas circunstâncias nos presenteiam, coroando o valor de nosso investimento no bem-estar de pessoas. Fruto mais valioso é vida de qualidade; alegre satisfação é estímulo para novas conquistas.

Na ‘natureza’ há tanto que, por gratuidade e retorno, por surpresa e acréscimo, irradia e extravasa ‘dádiva’, convidando à ‘celebração’. Na ‘cultura’, somente o ser humano se mostra capaz de celebrar o que ultrapassa propósitos, supera organização, integra resultados, capacidades e investimentos. ‘Celebrar’ pressupõe captar e fruir a ‘gratuidade’ no cotidiano. É capaz de celebrar quem se reconhece ‘mais’ privilegiado que merecedor, mais beneficiário que simples ator, mas escolhido que vencedor. ‘Celebra’ quem – após ter feito tudo o que lhe cabia – se reconhece portador da ‘grande sorte’, mesmo após ter feito o possível, realizando um trabalho intenso mediante generosa doação. Em tudo que é e faz se vê ‘abençoado’.
Por outro lado, só se dispõe a celebrar quem se ‘reconhece’ envolvido por ‘relações’ que o(a) elevam acima do que é e faz, acima do que sofre e merece. O aprisionado em ‘coisas’ que, pretensamente, teriam resultado só dos próprios esforços, não vê motivo para celebrar senão a ‘própria’ grandeza. Impõe-se a pergunta: por que e em que medida o ‘médico’ é tão ‘privilegiado’ – e também o mais responsabilizado – para ‘celebrar a vida’? A razão parece simples, transparente. Não é a ‘vida’ a maior de todas as ‘maravilhas’? Por acaso, há algo que transpira maior ‘gratuidade’? Nada parece haver que seja mais ‘misterioso’, mais complexo, mais harmonioso, mais frágil, paradoxal e transcendente que a vida. Pois bem, é o ‘médico’ – ‘parceiro de Deus’ - a avaliar, a corrigir, a restaurar, a conduzir, a intensificar - a fazer vitoriosa essa ‘vida’.

‘Mão direita de Deus’, o ‘médico’! Resta-lhe o desafio: ou encastelar-se na prepotência, reduzindo todos a simples ‘objetos’ ou dobrar os joelhos e abrir os braços, ‘aplaudindo’ a misteriosa grandiosidade das ‘relações’. Sublime a vida, síntese entre céu e terra o ‘ser humano’! Aqui, o ‘biológico’ é algo essencial e profundamente ‘teológico’. Sim, o ‘humano’ é realmente o ‘espaço’ do ‘divino’. E a arte médica, o exercício da medicina é o que há de mais ampla e densamente ‘sacerdotal’ - bem mais que o próprio ‘sacerdócio’. De fato, ‘Médico: Profissão Diferente’. O que, em nossos dias, nos acabrunha e, ao mesmo tempo, nos alerta é que a arte médica, não raro, é mais vinculada a ‘números e a aparelhos’ do que a ‘vidas e a pessoas’; mais a poder que a serviço, mais a proveito individual que ao bem comum, mais a doença que a doentes. Todavia, também aqui pode haver uma porta aberta.

Em nossos dias, a ‘tecnologia’ – nas mãos de muitos - se faz sucedâneo da ‘relação interpessoal’ e da respeitosa ‘atenção’ frente ao interlocutor (- aluno, funcionário, colega, cliente, fiel, paciente-). Um modelo ‘reducionista’, mecanicista faz as pessoas figurarem como ‘usinas’ de reações afetivas e de forças bioquímicas. O cliente, nesse caso, não passaria de um ‘repositório’ de problemas emocionais e de órgãos disfuncionais aprisionados em sistemas que reagem ‘mecanicamente’. Nessa perspectiva, se torna praticamente impossível ‘celebrar a vida’ nos próprios ‘cuidados’ pelo doente. No entanto, o doente merece que o médico dê atenção à sua vivência ‘global’ e considere tanto seu ‘espírito’ como seu problema particular. Ou seja, vivência global, corpo e espírito merecem ser examinados juntos, em sua interligação. Isto supõe a coragem de confrontar-se com ‘incertezas’ que pedem bem mais que alguns instantes de atenção e uma simples perícia ‘técnica’.

‘Celebrar’ implica envolvimento ‘pleno’ com o ‘outro’, sendo necessário navegar na fragilidade e na riqueza do relacionamento ‘interpessoal’. A primeira tarefa é despertar e alimentar a ‘confiança’ no cliente a fim de que, menos inseguro(a), se mostre capaz de lidar ‘construtivamente’ com a vida e com seus desafios. No campo das ‘relações’ pessoais, a tecnologia, com suas receitas, é destituída de poderes ‘mágicos’. Razão porque não há de servir à ‘desumanização’ da medicina (da educação, da política e da religião). Mais que ‘conhecimento’ e aplicação de ‘regras’, se há de lembrar que toda pessoa é uma realidade ‘única’. Nada de abrigar-se na torre de marfim do ‘academismo’, reduzindo o cliente a ‘receptáculo’ de neuroses e de doenças sem enxerga-lo(a) como  ‘mistério’ multifacetado.

‘Celebrar’ é, sobretudo, a própria arte de ouvir - núcleo da arte de ‘ajudar’ - enquanto faz o médico envolver-se com o cliente na complexidade das ‘relações’, capacitando-o(a) a perceber valores e problemas que nem sempre são mencionados. Aliás, a ‘queixa principal’ pode ter uma relação ‘distante’ com algum problema subjacente, mascarando o que na verdade mais valoriza ou mais perturba a pessoa. Firmeza de ânimo, transparência com serenidade revigoram o processo de ajuda. A cobrança de ‘certeza’ e a ‘pressa’ por ‘resultados’ cortam o fluxo de informações e empurram para o recurso da ‘tecnologia’, sendo essa, então, valorizada como ‘substituto’ da urgência de captar ‘sinais’. O resultado é perder-se em problemas ‘imaginários’, em tópicos irrelevantes que são tangenciais em relação ao problema maior.

‘Celebrar a Vida’ implica ouvir e observar (sobretudo quando há presença de mais pessoas) a fim de ser alertado para zonas de possível perturbação e de cura. Sem dados históricos ‘essenciais’, o doutor pode tornar-se agente de opções terapêuticas ‘impróprias’. E a queixa principal pode tornar-se limiar para ‘insucesso’. Toda ajuda há de funcionar como estímulo para acionar e deslanchar a energia da saúde. Aqui, o corpo, em sentido amplo, se faz porta de entrada para o ‘todo’ do cliente. É o exercício descontraído de observação que se revela fonte de informações relevantes (- silêncios, termos vacilantes, inflexões, pausas, tropeços.., -) para diagnosticar o problema.

A aquisição progressiva de uma sabedoria ‘clínica’ – graças ao ‘Celebrar a Vida’ – ajuda a captar o ‘essencial’. O tempo investido na obtenção de dados se faz espaço propício e até garantia do relacionamento humano ‘saudável’ entre cliente e médico. É oportuno lembrar que, para determinado acontecimento ou ‘situação’ ser capaz de causar ansiedade, há fatores como predisposição genética, experiências da primeira infância, influências sociais e culturais e um longo processo de condicionamento pessoal (vício, obesidade, falta de auto-estima, trabalho obsessivo, ausência da alegria de viver) que moldam o clima psicológico a condicionar o modo de lidar com a realidade.

Importante também é o ‘toque’ - mediação de afeto e preocupação ‘pessoal’ com o cliente. De fato, se a ‘ciência’ progrediu com relevantes avanços, declarando superadas certas ‘técnicas’, conserva sua validade tudo que incrementa afetuosa ‘atenção’. Produz interação em clima de ‘empatia’ a promover ‘confiança’, fluindo mais facilmente os dados de informação para o diagnóstico. A pessoa já não precisa temer ou defender-se para guardar segredos e, ao encontrar acolhida, ela pode fazer-se abertura, receptividade. Diferentes estados emocionais como medo, ansiedade, tensão, indiferença e depressão são fatores de risco; e não há metodologia que os materialize em uma evidente explicação científica. Aqui, a desconsideração da dimensão emocional ou neurológica – raramente, há só ‘uma’ causa! -  prejudica a eficácia do tratamento, obstruindo a capacidade de alívio e de cura.

Enfim, é no ‘Celebrar a Vida’ que se constata, com evidência, que cérebro, psiquismo e vontade formam uma ‘trindade’ que determina o comportamento de seres humanos. O que o indivíduo sente e faz resulta no que ‘é’. Os processos psicológicos contribuem tanto para enfermidade como para imunização. Toda ação da mente, quer se distinga por dor ou prazer, por esperança ou temor, gera uma mobilização, cuja influência atinge o ‘coração’. Estresse, perda, desemprego, infelicidade, teor negativo de educação, desunião, horizonte vivencial estreito, acontecimentos negativos, rotina, ansiedades estão, facilmente, a serviço das forças da ‘morte’. Razão pela qual urge promover o tráfego nervoso ‘favorável’ entre cérebro e coração. Dessa forma, ajuda-se a criar harmonia no desempenho psicobiológico, colhendo vida saudável.
- = - = -
Seja este o apelo:
Doutor, sua ‘Profissão Diferente’
clama pelo compromisso
de ‘celebrar a vida’ no desempenho
de sua nobre atividade.
Nunca se faça adepto(a) de uma ‘só’ explicação.
A sociedade agradece.
A vida terá novas chances.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

FELICIDADE - ALEGRIA

Se felicidade é satisfação de todos os nossos desejos, ela não existe de forma plena. Como um vir a ser, a pessoa humana há de estar sempre em estado de formação. Felicidade requer ‘duração’, alegria pode ser ‘breve’; ser feliz não exige alegria. Inclui, sim, transfiguração pessoal, inserção no todo, paz interior e paz social. Felicidade, mesmo quando real, é sempre inconstante e imperfeita.

Ilusão é projetar uma felicidade sem limitação; sabedoria é ser feliz relativamente. Perigosa é exigir ter tudo sob controle ou vincular a felicidade ao que há de vir. Se temos a experiência da infelicidade, bem sabemos que a podemos superar. Esta é nossa tarefa cotidiana: diminuir a tristeza e aumentar a alegria. Uma coisa é combater ou delimitar o mal, outra é felicidade geral. 


Nas Bem-Aventuranças, Jesus mostra que felicidade é mais que o bem-estar. Tantos ao redor de nós, por não serem bastante felizes, se mostram infelizes. Ninguém, entre nós, tem direito de ser infeliz pelo fato de não ser feliz. É psicologismo narcísico o atual culto do corpo e a pílula do sorrir. Até um horizonte de sofrimento não priva ninguém de ser feliz.


Importante é amar a vida como é: frágil, imperfeita, contingente, desafiante. Em vida feliz contam: o ideal, a luta, a solidariedade, a renúncia, a justiça. Sim, a felicidade é um acréscimo, quem menos a persegue, mais a possui. Até no limitado, incontrolável, finito e mortal há bênção de felicidade. À luz da fé, a bênção é para quem nasce, cresce, erra, casa e adoece.


Todo contentamento dos mortais é limitado, perecível, mortal e ‘divino’. A vida, antes da morte, merece ser vivida incondicionalmente, no amor. Deus a assumiu e, assim, a redimiu - quem o segue é feliz sem mentir. O que conta é se fazer ‘testemunho’ da vida abençoada, até na morte. No domingo da Páscoa, esta é a felicidade: vida vitoriosa na alegria.

FELICIDADE


Felicidade não é plenitude
nem alegria constante;
é passagem com finitude,
temporalidade mutante.

Há transfiguração segura,
porém a desilusão impera.
Só alegre gratidão perdura
se o coração, feliz, espera.

Felicidade, o povo a elogia,
por ser bom um momento.
A duração é sempre fugidia,
passageiro é o sentimento.

Por que ainda me preocupar,
se a vida se faz terapia?
A mim, o dever de serenar,
amigos são minha alegria.

HOMENAGEM AO DEUS EM NÓS


Deus em nós é como cores em um quadro, luzes em um pôr de sol e vibrações em uma música. Por uma experiência de paz, ele é harmonia no coração,  encantamento na alma e regozijo no espírito. Sim, Deus reluz na serenidade de nosso íntimo, no carinho de familiares, na luz do amanhecer, na polifonia de pássaros e na cordialidade de amigos.

O Deus que nos habita nada tem a ver com uma simples projeção, com uma passageira ilusão ou com uma luta aflita a se debater em um vazio existencial. Ele é abraço amigo, superação de angústia, imersão na alegre luta pela vitória do bem. É ainda o impulso persistente que identifica com a verdade, frágil e paradoxal, porém sempre libertadora como essência de relações fraternas.

Deus em nós é dinamismo e serenidade do encontro com nós mesmos; é o sempre tangível e nunca visto, que nos une aos que se aproximam de nós, na tranqüilidade e nas limitações, na satisfação e na angústia em meio a problemas. Porém, no Deus circunscrito, precisamente delineado, executor de tarefas e interventor, não posso crer. Ele é sempre mais e diferente, nunca o executor de uma tarefa, escravo de um dever. Livre é Deus, nas ondas da natureza e do humano ir e vir.

O Deus em nós é espírito e matéria, presente em tudo que possamos imaginar e experimentar. Ele não se limita a realizações ou expectativas nossas nem se impõe qual necessidade. É muito mais: fonte universal e nunca produto, criatividade e nunca isto nem aquilo; é música, nunca um som; é ritmo, nunca imposição; é presença multiforme, nunca objeto-solução.

Deus em nós é o ar que respiramos e que nada e ninguém podem controlar; é a humildade que fascina, mas ninguém domina; é a multiplicidade que harmoniza, ninguém o condiciona; é o vento que passa, ninguém o detém; é a infinita diversidade de seres, não é criador. Deus é ventania que brinca, poeira que dança, porém não é o maestro que, por ordens, rege o coral.

Deus não é severidade que absolutiza o poder, nem é um hierarca que subjuga os seus e tampouco o construtor do edifício de dogmas que petrificam nossa fé. Sim, Deus não é ‘Deus’, mas simplesmente origem, fonte, mistério invisível de tudo que natureza e cultura produzem de valioso. A ele mesmo, ninguém nunca viu, enquanto todos o carregam em si e se beneficiam de sua inesgotável bondade, enquanto sintonizados com o mistério do universo.

Milhões morreram, possibilitando que tu existas, como a folha de árvore que cai para que haja uma nova primavera. Tudo que, entre nós, há de admiravelmente pequeno existe para te apresentar ao mais humilde de todos: o Deus invisível e imortal, o mais frágil e o mais poderoso em amor-ternura.

Se religiões propõem esse Deus à crença das pessoas, elas também se fazem, não raro, sepultura do Deus que é amor, artista, suprema beleza, muito acima de tudo; grandeza inimaginável que só os simples respeitam e os místicos enxergam. Ele é o infinitamente pequeno que nunca deixará de ser procurado pelos humanos.

Sim, o Deus em nós... É o mais irreal do real. Entenda quem quiser! Ele é raio que ilumina e se retira, é pingo que fecunda e desaparece, é o todo que se expande e nada é. Sim, esse Deus é todo ser que se enobrece, não passando de um sopro. Ele é compaixão que torna suportável a vida; é leveza para todos, congregando-os na jocosidade do nascer e acolhendo-os festivamente no morrer. Entenda quem se julgar beneficiado!

Mais que a religião, importante é o riso.
Se tristeza enterra Deus, alegria o ressuscita.
Vulgar é quem não se dispõe a rir, pois reduz o real
 a um peso que esse não tem.
O ensimesmado, o triste e o revoltado
são diplomados em apagar estrelas.
Possamos sentir Deus em um suave
e confiante cantarolar, 
para que saibamos dar o primeiro passo,
 testemunhando, no ir e vir,
o ritmo de nosso caminhar, 
a grandeza que atrai, o amor que encanta.
 Viva o Deus em nós!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

RELIGIOSIDADE - SEGUNDO JESUS

Amar a Deus implica incluir os outros no amor a si mesmo.

Jesus se fez amigo que acolhe, sustenta, perdoa e rejuvenesce.

Mais que redenção, salvação é testemunho da graça onipresente.

Deus rejeita o poder que alicerça dominação com preconceitos.

Só podemos chegar ao divino pelas mediações do humano.

 

Passou o tempo em que líderes tinham domínio sobre Deus.

Vida no Espírito é reforçar o novo que conduz a um futuro melhor.

Digna é a religião ao nos tornar menos dependentes e mais conscientes.

Oração, jejum, esmola valem pela solidariedade na prática da fé.

O lugar do encontro com Deus é o cotidiano da própria vida.

 

Crer é lidar criativamente com a vida, as pessoas e a criação.

A história das pessoas é o espaço predileto da revelação.

Fraternidade implica uma santa ira no esforço de transformação.

Religiosidade autêntica abre o caminhos e constrói pontes.

A omissão desonra Deus e nega a dignidade das pessoas.

 

Apego a doutrinas e disciplinas obsta ao amor, causa exclusão.

A união com Deus envolve na compaixão e supera radicalismos.

A preservação da natureza com justiça social é o legado de Jesus.

Infiel é quem não assume sua ambivalência e culpa terceiros. Mais que zeladores de leis sejamos libertadores de irmãos.